“Existem mais coisas entre o céu e a terra do que possa imaginar nossa vã filosofia.”
É com essa frase de Willian Shakespeare que me pego a refletir sobre esse mundo em que estamos. Pra alguns estamos de passagem, pra outros estamos há milhares de anos indo e vindo, pra outros estamos aqui por acidente. E pra mim?
“Existem mais coisas entre o céu e a terra do que possa imaginar nossa vã filosofia.”
Estamos num mundo onde existem mais perguntas que respostas e a busca de respostas são constantes. Acredito eu que a religião seja fruto de tantas perguntas e cada um encontra a sua possível resposta na religião que lhe atrai. Pode ser um Budista que medita em busca da plenitude da alma ou pode ser um Umbandista que recebe a entidade e fuma seu cachimbo. Pode ainda ser um espírita que pratica a caridade ou um evangélico que doa seu dízimo.
Sim, as religiões são formas de uma busca, de um desejo de saciedade sobre o desconhecido.
E as perguntas clássicas de De onde viemos? Pra onde iremos? estão presentes em todo o canto sem a resposta almejada. E por mais que filósofos, artistas, poetas de rua, líderes religiosos tentem, sempre nos assombra a dúvida que mesmo que no recôndito da mente, vez em quando dá as caras.
E então, eu posso fazer sexo antes do casamento? Posso viver em bigamia ou poligamia? Posso tomar minhas biritas? Devo amar o próximo mesmo que ele cometa atitudes que nos faça desejar sua morte? Devo buscar a iluminação da alma? Devo cuidar mais do meu corpo? Devo viver o hedonismo ou viver na repressão dos desejos?
Devo questionar ou simplesmente aceitar respostas vagas? Devo acreditar na Bíblia ou no Corão? Devo ser Cristão ou Judeu? Devo buscar a felicidade ou a riqueza? Devo acreditar que dinheiro realmente não traz felicidade ou isso é só conversa de quem não consegue ficar rico?
Não tenho as respostas. Seus horóscopos não tem as respostas. Seus livros sagrados enegrecem ainda mais meu nebuloso pensamento e por fim sei que existem sim mais coisas entre o Céu e a Terra do que eu possa compreender, e como a mim não foi dada a onisciência fico perguntando noite e dia sem ter as respostas.
Quando criança sempre víamos na TV os super heróis. Aqueles com poderes especiais e que, sabe-se lá os motivos, usam cuecas por cima da calça.
Frutos de picadas de insetos, vindos de outros planetas e outros enigmas imaginários nos faziam crer ser possível um dia ser iguais a eles. Até o Chapolin Colorado nos fascinava. Podia não ter poderes, mas tomava a pírula polegarina que o fazia diminuir.

Chapolin - Um herói pra nos fazer rir!
Sabemos que tudo o que vimos não passa de imaginação. Os Super Heróis estão na ficção para povoar nossos pensamentos de atitudes corajosas, mas que porém deixamos somente no campo da imaginação.
Mas será que os heróis de verdade existem?
Sim existem, são vários e basta buscar nos noticiários que os encontraremos. Um exemplo de um herói de verdade é o jovem Vitor Cunha que ao ver um mendigo sendo espancado por alguns (desculpe, não vou usar adjetivos aqui em respeito aos leitores) foi defedê-lo.
De maneira corajosa, Vitor se interpôs entre agredido e agressores, sendo também vítima da truculência que tentara combater.
Após ser espancado, Vitor de apenas 21 anos teve que passar por uma cirurgia onde teve 63 pinos implantados no rosto.
Ao sair do hospital Vitor disse: “faria isso amanhã, faria hoje, se visse a mesma coisa”.
Um herói de verdade… um homem de verdade.

“faria isso amanhã, faria hoje, se visse a mesma coisa”.
Não é de ver que a música de Michel Teló, “Ai Se Eu Te Pego!” tem um fundamento filosófico? Veja a análise de Gabriel Perissê das Iscas Intelectuais:
Ele analisa a letra da canção “Ai se eu te pego”, interpretada por Michel Teló, sucesso nacional e internacional. Na primeira estrofe, temos…
Sábado na balada
A galera começou a dançar
E passou a menina mais linda
Tomei coragem e comecei a falar
Cada verso e cada palavra de Teló nos conduzem a universos paralelos da cultura. O primeiro verso faz menção ao “Porque hoje é sábado”, em que Vinícius de Moraes revê a criação do mundo.
A balada a que se refere Teló alude àquele antigo poema com que se narrava alguma tradição histórica, acompanhado ou não por instrumentos musicais. Ou àquela peça puramente instrumental como cultivavam Chopin, Brahms ou Liszt.
A supracitada galera (“turma”, “amigos”, “gente”) de Teló se equipara ao decassílabo “Vogo em minha galera ao som das harpas”, de um poema de Castro Alves.
Reportando-se de novo ao poetinha Vinícius de Moraes (“Garota de Ipanema”), Teló também contempla a menina linda que passa. E vai além. Em êxtase, tomado pela excitação poética, num ato de coragem extrema, o baladeiro se declara:
Nossa, nossa
Assim você me mata
Ai se eu te pego, ai ai se eu te pego
Delícia, delícia
Assim você me mata
Ai se eu te pego, ai ai se eu te pego
A dupla exclamação — “nossa, nossa” — nos remete à admiração de que falava Aristóteles como ponto de partida da reflexão filosófica, ou pode se tratar também de uma forma reduzida da interjeição “Nossa Senhora!”, inserindo o poema no amplo cenário (e não menor mercado) das composições religiosas.
Outra referência inconfundível é o locus poético em que amor e morte se encontram — o clássico “morrer de amor”. O verso “Assim você me mata”, que o cantor faz acompanhar com o abanar da mão em direção ao rosto (simulando morte por asfixia ou enfarte), equipara-se a momentos sublimes da poesia romântica de Gonçalves Dias ou Casimiro de Abreu. Há, entre outros exemplos, um soneto em que Camões, dirigindo-se ao Amor, com ele se queixa: “Que vida me darás se tu me matas?”
Aqui termina o poema de Teló, com uma concisão que lembra Paulo Leminski e Mario Quintana.
Mas parece que os imortais que acima citei não gostaram das comparações feitas aqui. Das suas tumbas erguem-se vozes, cantando em uníssono:
Assim você nos mata!
Autor – JOSÉ RENATO – @JRenato62