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agosto 23rd, 2006 | Louco que escreveu: Cristiano Vieira

Aquele abraço não foi um abraço comum, foi mais forte, foi mais sincero, foi um abraço de alguém que sofre, que precisa de apoio, que é desprezada pela sociedade, pelo homem, pela mulher, pelo ateu, pelo cristão, pelo bom e pelo mal.
Naquele abraço vinha sangue, vinha ternura, medo, incertezas, lágrimas e sorriso… um abraço, o abraço, aquele abraço…
O abraço de quem pôde por um momento ouvir que não é inferior a ninguém, que é valiosa.
Não foi um simples abraço, não foi um abraço qualquer, foi O abraço.
Ela tão extrovertida, tão desinibida, faladeira, parecia que trazia a felicidade embalada pra todo mundo, mas na verdade a felicidade estava amassada e envolta na tristesa que a imitava.
Um dia foste criança, adolescente e agora é uma mulher que a vida insiste em lhe dar porradas, insiste em massacrar, insiste e insiste em dizer que o nada é superior.
Vida não faz assim, vida deixe-a viver, vida por que tanta bondade com uns e tanto desprezo com outros.
Ela sabe amar, ela sabe querer, ela sabe sonhar, sabe desejar mas não sabe se libertar. Os motivos de não saber ela também não sabe.
Vida, me dê as chaves do cadeado, das correntes que a amarram. Vida me dê liberdade pra eu libertá-la, pra eu poder vê-la agradecer a vida.
E pisam-na, a humilham como se fosse trapo jogado. Farrapo inútil, objeto de desejo de quem a pisa. Dos pés que a pisam nasce seu sustentáculo, estes pés financiam sua ambição, financiam seu desespero, financiam seu medo.
Às vezes é confidente, é amante, é namorada. Às vezes é apenas um brinquedo prestes a ser jogado fora por homens que já não têm a inocência de uma criança.
Pra mim ela é mulher… e dessa mulher surgiu o abraço que não me sai da mente, esse abraço que não é em função da experiência, mas do desejo de ser reconhecida como gente. É o abraço forte, cativante, é o abraço de prostituta.

agosto 05th, 2006 | Louco que escreveu: Cristiano Vieira

PEQUENO ANJO
- Oi!
- Oi…
Assim começou uma história, até agora pequena, sem muitos fatos, mas com algumas emoções intrínsecas.
Após vários “Oi’s” e conversas numa tentativa de conhecimento alheio surge o pedido:
- Faz uma crônica pra mim?
- Como assim? Uma crônica pra você? Sobre o que?
- Sobre mim…
Eu que me denominava um cronista (iludido o rapaz) fico sem saber o que escrever e me recorro ao dicionário que me diz que?
crô.ni.ca
s. f. 1. Narração histórica, por ordem cronológica.

Pela definição do dicionário até aqui escrevi uma crônica, se assim procederei até decidir finalizar este texto, não sei…

Sob pedidos de um pequeno Anjo, que nunca olhei nos olhos, nunca ouvi a voz me lancei em frente a um computador pra redigir algum texto que a descreva! Que defina o que ela está sendo pra mim.
Tive que me recorrer às fotos pra descrever os fatos e o que me chamou a atenção foram os cabelos penteados do Anjo! Que lindo! Algo tão simples me chamou a atenção e me prendeu por alguns segundos.
Observei que o Anjo usa óculos e quis saber se é pra enxergar melhor ou apenas para se esconder um pouco mais.
O Anjo sorri, mas seu sorriso é amargo, esconde algo tão misterioso quanto o sorriso da Monalisa.
Mas as fotos não tiraram de mim a impressão que já tinha do Anjo. O Anjo é pequenino no tamanho, mas grande em me fazer bem, em deixar meus momentos mais agradáveis, de me fazer sonhar com alguém que não pude tocar, mas que faz meu coração agitar.
Passo então a querer o Anjo perto de mim, a desejar pegá-lo nos braços. Peço então que Deus me perdoe por querer roubar um beijo do Anjo, mas não suportaria estar ao lado desse ser celestial sem poder tocar meus lábios nos seus.
Mas ainda continua o mistério: Por que o Anjo é tão quietinho, não fala muito de si e parece ter medo de algo que lhe causa sofrimento?
Por que quando recebe um elogio questiona ou agradece de maneira tão formal enquanto quem elogiou espera ao menos um entusiasmado agradecimento?
Por que o Anjo tem medo de contar onde gosta de receber carinho?
E por que o Anjo me conquistou assim?
O Anjo tem me provocado dúvidas e suspiros. Pra cada pergunta um suspiro, pra cada suspiro um desejo. Desejo de abraçar e ser envolto nas suas asas; desejo do juntar meus lábios aos seus; desejo do sussurrar ao pé do ouvido; desejo do corpo a corpo aquecido na ternura do carinho e no fogo da paixão.
Anjo fascinante que se eu pudesse roubaria-lhe as asas e voaria até seus braços e depois lhe levaria pra passear no mundo da inconseqüente aventura que é se entregar ao amor.
Anjinho pequenino contes a mim teus segredos, deixe-me ter um pouco de você guardado em meu coração, deixe-me ser seu confidente, amigo, amante, amado!
Anjo deixe-me ser seu…

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junho 22nd, 2006 | Louco que escreveu: Cristiano Vieira

Existem situações no mundo que não consigo compreender. Dentre tantas uma está me assolando agora. Estou tentando entender os motivos de necessitarmos ficar meio tristes, meio deprê.

É tão bom sorrir, conversar, falar asneiras… mas de repente a mente, a alma anseia a amargura, se envaidece na tristeza e solicita a angústia como companheira. Não que eu ache que depressão seja um sentimento maravilhoso, mas ele entorpece o orgulho, enche o ego e fascina o medo.

Os sentimentos se confundem entre querer se alegrar e querer se “enfossar” ainda mais. Desculpe o neologismo, mas senti necessidade de cria-lo, afinal sempre dizemos quando estamos tristes que estamos numa fossa.

O dia todo foi legal, interessante, com responsabilidades, brincadeiras e certeza de que pra vencer tem que lutar. Já a noite veio a sensação de que é preciso ficar sozinho, sozinho mesmo, sem ninguém pra conversar, pra falar o que pensa, pra dar opinião que pra mim, ao menos agora, não servirá pra nada, a não ser pra alimentar o rancor que surge nestes momentos de baixa auto-estima.

O que mais contradiz minha mente é o ser humano sempre estar buscando a felicidade e alimentar tanto a tristeza. Eu mesmo estou aqui numa necessidade de sorrir, mas a falta de alegria me faz ouvir músicas depressivas, alimentar saudades, questionar atitudes, enfim, me faz fechar os olhos pra ver se as lágrimas vêm.

Eu, um homem forte, alegre, inteligente e sagaz me vejo derrubado por nada, sem motivos. Mesmo assim as pessoas insistem em estar falando comigo, ora, deixe-me curtir o desgaste da minha alma nesse veneno mortal que satisfaz-me, não fale comigo, me deixe sonhar como eu quero sonhar. Suas opiniões não me valem agora, o que me valem sou eu e eu.

Eu mesmo, homem forte, alegre, inteligente e com a sagacidade em xeque quero amar e odiar ao mesmo tempo. Quero carinho e aversão, quero contradizer o gostar, quero cuspir no sorriso e cantar cânticos fúnebres nas festas de salão.

Quero ver a natureza bela, ao passo que acendo fogo pra queimar tudo ao meu redor, e no fogo ver a beleza que saía do sorriso de quem já me apaixonei.

Não quero a morte, não quero sentir o cheiro dela, não quero pensar nela, mas a quero do meu lado me fazendo refletir sobre a vida, assim chegarei a conclusão que viver é lindo e a beleza é triste, e a tristeza, ah, essa quer me abraçar como um manto que me cobre nas noites mais gélidas desse país tropical.

Mas ainda insistem em me atazanar, me falando coisas que não me interessam. Quero paz, paz pra mim. Não me atormente, por favor, deixe me acabar de escrever esta inutilidade!

Já que não me deixam em paz, vou é mesmo parar de escrever e sonhar com a poeira dos olhos de quem nunca olhou pra mim…

março 15th, 2006 | Louco que escreveu: Cristiano Vieira


Um punhal entrou em meu ser, me feriu, cortou meus pulsos devido apenas a conclusões.
O que vocês tem a ver com isso?
Nada, por isso não escreverei mais nada sobre este fato…
Categoria: Pessoal  | Tags:  | 4 Comentaram