É duro de repente perceber que crescemos e que a vida não foi tomando as formas que esperávamos.
As formas arredondadas que acreditávamos que a vida tomaria vão se enquadrando em outras geometrias, retangulares, triangulares, quadradas…
Ainda vemos o comercial da cerveja que desce redondo e percebemos que ser redondo pode ter consequências drásticas.
Cresci, mas não só pra mim, também pra meus pais, meus irmãos, pra sociedade.
A família se desfaz pra fazer outras famílias.
Então reflito meus dias e vejo que progredi, não como queria, não o quanto queria, mas não parei no tempo, no espaço.
Penso então que ser criança não era tão ardil, tão doloroso como ser adulto. As escolhas eram mais simples, ou simplesmente não me era dado o direito de escolha, o que me angustiava um tempo, mas passava na sabedoria ou na impossibilidade de minha mãe.
Hoje as decisões são minhas, as escolhas são minhas e as consequências, ah estas são enormes.
Crescer é a necessidade de revolução do menino, da criança.
Crescer é arrebentar o casulo, é voar.
Crescer é ter um universo enorme que nos limita a apenas um planeta.
Crescer é ter saudade de ser criança, mas não querer voltar a sê-la.












