No blog Censurado li o texto Uma doença chamada preconceito e os comentários me fizeram lembrar que há alguns dias minha namorada e eu falávamos sobre a questão racial no Brasil.
No seriado da Rede Globo – FORÇA TAREFA – foi exibido um episódio em uma favela sendo que um negro seria o chefe do tráfico.
Eu particularmente não vi preconceito em tal fato, pois banditismo independe da cor… etc etc etc.
A questão que foi abordada por minha namorada é que: “Por que os negros não se valorizam mais?”.
Como disse a leitora Elisa do blog Censurado em seu comentário, faltam aos negros a sua própria valorização.
Valorizar-se não é ser soberbo, não é se achar melhor que os outros, mas sim mostrar suas capacidades.
Já dizia a música: Chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor…
Chega de quando for falar de negros dizer: Os negros também são bons, olha o jogador A e o B etc e tal.
Lasque-se essa de jogador, pois negro não é só futebol. Está na hora de fazermos diferente, de mostrarmos que temos vontade de vencer, que temos auto-estima (estou dizendo temos, pois sou negro).
Está na hora de saimos da cultura das aparências e lutarmos por reconhecimento de capacidade.
E pra isso é necessário mudar atitudes, buscar mudar comportamentos.
Peguemos a história recente de SP.
Paulo Maluf apoiou Pitta para prefeito. Pitta ganhou e fez várias falcatruas.
Pitta é negro, Paulo Maluf é branco… Alguém diz: Tinha que ser preto mesmo. Mas Maluf já errou muito e não tem suas falhas associadas à sua cor de pele.
Onde quero chegar? Quero chegar no ponto que para ser reconhecido o negro não pode querer agir errado assim que tem oportunidade.
Se o Obama fizer a coisa certa será aplaudido, se errar será tão criticado por suas atitudes e sua incompetência será associada à sua cor, o que não ocorre com o Bush, que terá sua incompetência associada somente à sua incompetência e pronto.
Então já posso sair da questão racial e partir pra social.
Se um grupo de jovem da classe média comente um crime sai na mídia:
- Jovens de Classe média assaltam um banco!
Se eles são da favela:
- Bandidos invadem um banco e roubam milhares de reais.
Aí está o preconceito social.
E não pára (agora pára verbo é sem acento né?) por aí:
-Loira burra… loira burra…
Sem contar que agora todo padre virou pedófilo, todo pastor evangélico só quer dinheiro, todo político é corrupto, ou seja, preconceito é generalização.
Uma das leitoras do blog Censurado (veja o comentário) comentou que mulher no Brasil é vista só como bunda e peito. An, entremos na mesma questão que eu disse sobre os negros:
-É hora de se valorizar.
Chega de viver pelas aparências…
Quanto as cotas raciais, quando eu era mais moço (há uns 4 anos) houve essa discussão na universidade que eu estudava e eu afirmei categoricamente que o que estão querendo é tampar o sol com a peneira.
É como se quisessem varrer o lixo pra debaixo do tapete.
Está mais que na hora de assumirmos que há sim preconceitos no Brasil. Eu já fui ofendido várias vezes por causa da minha cor (não tenho a pele muito escura, mas tenho os traços de negro). E o pior, por eu não ser um negro da cor bem escura tinham a capacidade de fazer piadinhas de negros e olharem pra mim e dizer: Você não é negro, é moreno!
Já argumentei, já usei da rispidez para ir contra os fatos, mas nada, nada me deu mais força e visibilidade que a autoconfiança, a luta por um lugar melhor, a vontade de vencer e a coragem pra mostrar que minha capacidade vai muito além da cor da minha pele.
Eu tive duas oportunidades na vida:
- Me fazer de coitado e me tornar um alcoólatra como vários familiares;
- Mostrar quem eu sou de verdade lutando e fazendo acontecer.
Não estou ainda onde quero, tenho muito que conquistar, mas tenho certeza que se eu lutar, independente da minha cor, posição social eu conseguirei.
Mas se eu me sentar no trono de um apartamento com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar… ela chegará!











