Café Com Amigos
15dez/093

27 de dezembro, esperando!

E agora o peito começa a se apertar, como se a saudade o espremesse forte.
Os olhos não conseguem direito enxergar.
O estômago está cheio mesmo eu não tendo me alimentado.
Eu queria cantar, mas não há canção que limpe de mim o que sinto.
Tudo que busco agora é olhar-te frente a frente, olhar teu rosto, olhar teu olhar.
Quero te ter no colo, menina, anjo, mulher...
Quero te ter nos braços e te ver adormecer.
Tantos desejos e mais saudade.
No prato, no garfo, na garganta. É como se te engolisse a cada vez que me alimento.
Sinto que meu alimento é nosso amor, é nosso amar, é você e eu.
Os pássaros cantam, um canto alegre que não condiz com meu semblante que está caído.
Não choro, não dou risadas, não comemoro, apenas espero.
Muitas horas, muitos dias, algumas semanas e um abraço me fará sentir o sagrado em meu corpo.
O sagrado que se faz profano na intimidade.
E não sou poeta pra fazer grandes obras, obras expressivas.
Não sou Camões ou Sheakspere.
Nosso amor não é impossível como Romeu e Julieta nem tão insensato quanto o poema de Camões.
É um amor de poesias, canções, de brigas, discussões.
Sonhos nos rodeiam, medos nos acompanham. Mas queremos sermos chamados marido e mulher.
E ao fechar os olhos adormeço querendo só acordar no nosso dia, no dia de eu não mais fazer poesias e sim te beijar.
Acordar quando não sentirmos mais saudade, só desejos e vontades.
Quando então nosso amor for de carne e osso, não só de palavras.
Quando enfim novamente eu te olhar nos olhos e dizer que te amo!

9dez/091

É só chuvinha no rosto, não é lágrima!

É só uma chuvinha que caiu no meu rosto, não estou chorando.

As nuvens estão negras, viu?

É só uma chuvinha, não é choro!

5dez/092

Dia chuvoso!

Um dia chuvoso!

Um delicioso capuccino!

Um bom livro!

Uma cama quentinha!

É, na verdade tive que levantar de madrugada pra ir trabalhar.

Imagem: Diário de Bordo

24nov/090

Sopro

E quando eu quis chorar por ter acertado, me veio sua mão e pegou a minha.

Sua voz fez sucumbir minha tristeza e a saudade foi se esvaindo no escorrer das palavras.

 Poema curtinho, estilo cosquenta

14out/091

Ser ou não ser? Eis a questão.

Será mais nobre sofrer na alma pedradas e flechadas do destino feroz, ou pegar-me em armas contra o mar de angústias – e, combatendo-o, dar-lhe fim?

Morrer; dormir; Só isso.

E com sono – dizem – extinguir dores do coração e as mil mazelas naturais a que a carne é sujeita; eis uma consumação ardentemente desejável.

Morrer – dormir – dormir! Talvez sonhar. Aí está o obstáculo! Os sonhos que hão de vir no sono da morte quando tivermos escapado ao tumulto vital nos obrigam a hesitar: e é essa reflexão que dá à desventura uma vida tão longa.

Pois quem suportaria o açoite e os insultos do mundo, a afronta do opressor, o desdém do orgulhoso, as pontadas do amor humilhado, as delongas da lei, a prepotência do mando e o achincalhe que o mérito paciente recebe dos inúteis, podendo ele próprio encontrar seu repouso com um simples punhal?

Quem agüentaria fardos gemendo e suando numa vida servil, senão porque o terror de alguma coisa após a morte – o país não descoberto, de cujos confins não voltou jamais nenhum viajante – nos confunde a vontade, nos faz preferir e suportar os males que já temos, a fugirmos para outros que desconhecemos?

E assim a reflexão faz todos nós covardes.

E assim o matiz natural da decisão se transforma no doentio pálido do pensamento. E empreitadas de vigor e coragem, refletidas demais, saem de seu caminho, perdem o nome de ação.

(Hamlet, Ato III, cena 1)

"Tava lendo aqui, achei interessante a interpretação sobre o sentido da vida, e o medo da morte e do desconhecido como proposito a este sentido!"
Helder Delfino

29set/091

Cora Coralina – 120 anos

Em homenagem aos 120 anos da poetisa Cora Coralina, posto aqui uma pequena homenagem.

Goiana com orgulho, Cora Coralina é uma das pessoas que nos fazem admirar a vida e entender que muita idade não é sinal de pouca vitalidade.

Não sei ...se a vida é curta
ou longa demais para nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas

Cora Coralina

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Minha cidade

Goiás, minha cidade...
Eu sou aquela amorosa
de tuas ruas estreitas,
curtas,
indecisas,
entrando,
saindo
uma das outras.
Eu sou aquela menina feia da ponte da Lapa.
Eu sou Aninha.

Eu sou aquela mulher
que ficou velha,
esquecida,
nos teus larguinhos e nos teus becos tristes,
contando estórias,
fazendo adivinhação.
Cantando teu passado.
Cantando teu futuro.
Eu vivo nas tuas igrejas
e sobrados
e telhados
e paredes.

Eu sou aquele teu velho muro
verde de avencas
onde se debruça
um antigo jasmineiro,
cheiroso
na ruinha pobre e suja.

Eu sou estas casas
encostadas
cochichando umas com as outras.
Eu sou a ramada
dessas árvores,
sem nome e sem valia,
sem flores e sem frutos,
de que gostam
a gente cansada e os pássaros vadios.

Eu sou o caule
dessas trepadeiras sem classe,
nascidas na frincha das pedras:
Bravias.
Renitentes.
Indomáveis.
Cortadas.
Maltratadas.
Pisadas.
E renascendo.

Eu sou a dureza desses morros,
revestidos,
enflorados,
lascados a machado,
lanhados, lacerados.
Queimados pelo fogo.
Pastados.
Calcinados
e renascidos.
Minha vida,
meus sentidos,
minha estética,
todas as vibrações
de minha sensibilidade de mulher,
têm, aqui, suas raízes.

Eu sou a menina feia
da ponte da Lapa.
Eu sou Aninha.

Biografia de Cora Coralina

Leia também: Exposição marca os 120 anos do nascimento de Cora Coralina

Não deixem de acessar Casa de Cora Coralina


17set/092

Nosso Amor

Rosas Vermelhas

Rosas Vermelhas

E parecia coisa de criança, brincadeira pra passar o tempo. Parecia mesmo é que no intervalo de uma aula e outra eu estava apenas inventando coisas pra passar o tempo.

Não olhava em seus olhos, não ouvia sua voz, não via seu sorriso... Apenas queria um pouco de atenção. E mesmo me evitando ela sabia me dar a atenção que eu buscava.

E tantas palavras foram soltas, despregando dos dedos, entre um bate-papo e outro e foi surgindo, devagar foi surgindo nosso amor.

Não é um amor que manda flores, mas sim um amor que declara;

Não é um amor que jura ser pra sempre, mas um amor que trabalha pelo futuro;

Não é um amor doentio, mas que adoece o coração pela saudade.

É um amor que dá colo, que passa a mão no rosto. É um amor que discute, chateia, mas com um olhar, uma palavra, um simples “oi” tem o perdão estampado nos olhos.

É um amor que chora na despedida, que sorri na chegada.

É brincar de pega-pega, é contar estórias pra não dormir, é sentir calor e frio e querer em todo momento estar juntos.

É dar tapas, é apertar, é ameaçar... Ameaças com beijos, ah, estas ficam mais doces que chocolate.

É querer a loucura, porém não ser louco o suficiente pra cometer todas que vem à cabeça.

Esse é nosso amor. Um amor como tantos outros amores, mas que eu não trocaria por nenhum outro.

Veja também: Eliane é assim, Papo a Dois

9jul/091

Cosquenta

... rimas!

.

amor rima com: saudade, esperrima com: saudade, espera, relogio, vestido novo, vestido no chão!
rima com sorvete, caramelo, beijo demorado, luz apagada
...
rima com o que quer ser rima, dessas boas de rimar!

[!]

http://cosquenta.blogspot.com

4jun/090

MEU GOIÁS QUERIDO

Açúcar e mel
das abelhas em seus favos
flor em flor.

Seu néctar sugando
como um raio de luz,
seu mel distribuindo
gota a gota
nos corações aflitos.

Famintos, adoçando,
tirando o amargor
do dia a dia,
do caminhar sem destino,
esperando o amanhecer,
o alvorecer.

Para ver abelhas
nas flores sugando,
borboletas voando,
cigarras cantando
nos ipês floridos, amarelos e lilás,
nas palmeiras imperiais,
nos flamboyants floridos
de nosso GOIÁS.

Umbelina Frota

23mai/092

Poesia – Súplica Cearense

Acostumamos tanto a ouvir somente o que as rádios e TV's enlatam pra ouvirmos que esquecemos de buscar a verdadeira música, a verdadeira canção, enfim, a poesia.

Ouvi essa música do Luiz Gonzaga cantada pelo O Rappa e fascinei. Poesia pura. É, percebo que grandes mestres e poetas nem sempre recebem as honras necessárias.

Súplica Cearense

Oh! Deus, perdoe este pobre coitado
Que de joelhos rezou um bocado
Pedindo pra chuva cair sem parar

Oh! Deus, será que o senhor se zangou
E só por isso o sol arretirou
Fazendo cair toda a chuva que há

Senhor, eu pedi para o sol se esconder um tiquinho
Pedir pra chover, mas chover de mansinho
Pra ver se nascia uma planta no chão

Oh! Deus, se eu não rezei direito o Senhor me perdoe,
Eu acho que a culpa foi
Desse pobre que nem sabe fazer oração

Meu Deus, perdoe eu encher os meus olhos de água
E ter-lhe pedido cheinho de mágoa
Pro sol inclemente se arretirar

Desculpe eu pedir a toda hora pra chegar o inverno
Desculpe eu pedir para acabar com o inferno
Que sempre queimou o meu Ceará

Link para a música cantada por "O Rappa"

Link para a música cantada em forró