Café Com Amigos
15jun/092

Ciranda Financeira

Numa pequena vila, além da chuva,  nada de especial
acontecia. Mas sente-se a crise financeira internacional.
Onde todo mundo devia a todo mundo.

Subitamente, um rico turista chega ao  pequeno hotel local.
Pede um quarto e coloca uma nota de $100 sobre o balcão, pega a chave
e sobe ao 3º andar para inspecionar o quarto indicado, na condição de
desistir se não lhe agradar.

O dono do hotel pega a nota de $100 e corre ao fornecedor de carne a
quem deve $100, o talhante pega no dinheiro e corre ao fornecedor de
leitões para pagar $100 que devia há algum tempo, este por sua vez corre
ao criador de gado que lhe vendera a carne e este por sua vez corre a
entregar os $100 a uma prostituta que lhe cedera serviços a credito.
Esta recebe os $100 e corre ao hotel a quem devia $100 pela utilização
casual de quartos  para atender a clientes.

Neste momento o turista rico desce à recepção e informa ao dono do
hotel que o quarto proposto nao lhe agrada, e pede a devolução dos 100.

Recebe o dinheiro e sai.

Nao houve neste movimento de dinheiro qualquer lucro ou valor acrescido.

Contudo, todos liquidaram as suas dividas e estes elementos da pequena
vila agora encaram o futuro de forma otimista.

É assim que funciona a ciranda financeira. O dinheiro sempre volta para
quem o detém.

Recebido via e-mail

7mai/091

Vírgula neles…

Muito legal a campanha dos 100 anos da ABI (Associação Brasileira de Imprensa).

Vírgula pode ser uma pausa... ou não.
Não, espere.
Não espere.

Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,4.
2,34.

Pode ser autoritária.
Aceito, obrigado.
Aceito obrigado.

Pode criar heróis.
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.

E vilões.
Esse, juiz, é corrupto.
Esse juiz é corrupto.

Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.

A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.

Uma vírgula muda tudo.

ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação.

Detalhes Adicionais
SE A MULHER SOUBESSE O VALOR QUE TEM O HOMEM ANDARIA DE QUATRO À SUA PROCURA.

Se você for homem, certamente colocou a vírgula depois de HOMEM.
Se você for MULHER, colocou a vírgula depois de TEM.

19out/082

Loucos!!!

LOUCOS!!!

Loucos...
É isso que todos nós somos.
Loucos varridos,
Juntados,
Separados,
Alucinados,
Apaixonados,
Normais.

Simples assim.
Quem disser que não é louco, que atire o primeiro computador.

2out/080

A raposa e as uvas

Morta de fome, uma raposa foi até um vinhedo sabendo que ia encontrar muita uva. A safra tinha sido excelente. Ao ver a parreira carregada de cachos enormes, a raposa lambeu os beiços. Só que sua alegria durou pouco: por mais que tentasse, não conseguia alcançar as uvas. Por fim, cansada de tantos esforços inúteis, resolveu ir embora, dizendo:
- Por mim, quem quiser essas uvas pode levar. Estão verdes, estão azedas, não me servem. Se alguém me desse essas uvas eu não comeria.

Sempre me refiro a esta fábula quando critíco algo que queria ter e não posso. Um exemplo é quando alguém diz que vai para o litoral do Nordeste e eu digo: Ah, lá não é bom nada, quente e ruim.

Ao terminar de falar eu já digo: A raposa e as uvas. Muitos não conseguem entender o que falei. Parece óbvio, mas pelo que percebi não é.

Percebo ainda que a leitura ainda é algo banal no dia a dia das pessoas, e que se o livro não tiver muitas imagens e for grosso está fadado a não leitura.

História tirada do link http://www.metaforas.com.br/infantis/araposaeasuvas.htm

Do livro: Fábulas de Esopo - Companhia das Letrinhas

17jul/081

Grande Cidade e Cidadezinha do Interior

Estou de férias e aproveitei pra fazer um passeio com interesses particulares.

Saindo então do interiorzão de Goiás (mais precisamente de São Luis de Montes Belos) acabei parando em Campinas/SP.

Uma cidade grande, com uma região metropolitana abrangente, com um rítmo acelerado, com uma grande movimentação financeira, mas como estou de férias quero mais... Não quero pensar em negócios, granas, correria. Quero apreciar paisagem, o céu, conversar e coisa e tal.

A primeira coisa que senti aqui foi frio. Meu Deus, os 21º daqui parecem 10º de onde eu moro.

Fui olhar o céu: Puxa, aqui não tem céu, não tem nuvens. É estranho, mal se vê o brilho do sol!

Fui olhar o horizonte: Ih, deu galho... Só vi fumaça e fumaça.

Poxa, uma cidade com muito a oferecer, mas infelizmente a poluição não nos permite ver o que a natureza nos propõe, não permite tragar um ar com mais oxigênio que gás carbônico.

Sinto que a expectativa de vida aqui com relação a ganhar dinheiro é muito maior que lá no meu Goiaizão véi sem portera, no interiorzão, porém a qualidade de vida lá é maior, muito maior.

Agora não sei se ganho dinheiro ou se vivo bem... Se bem que pra viver bem sem grana não dá, mas com grana e o pulmão morrer não resolve.

Dúvida por dúvida, vou aproveitar que estou aqui e viver estes momentos, que logo logo meu estado me terá de volta, com toda minha cabloquice e mistura. Com meu sotaque caipira sem vergonha, com minha alma poluída de CO², mas limpa de atitude.

Logo logo volterei a minha pacata vida e pensarei em mudar pra onde ninguém dorme, onde não há tempo para parar, para dormir, para se divertir.

E de repente vou cantar: Quando eu quero mais eu vou pra Goiás.

Tenho dito!

14jul/080

O Mutirão

Pelo escabroso caminho, onde o sol escaldante as fibras retorciam, dentre as chochas pairavam uma tristeza singela que nos arremetia uma angustia profunda. Avistamos uns meninos a correr com um certo espanto que nos trouxe a lembrança de nossa saudosa infância. Descalços e quase desnudos, com seus lábios carnudos corriam em direção de cancela. Pareciam querer delatar um acontecimento profícuo aos seus genitores. De fato. Dentro de alguns instantes o pequeno arraial pareceu ser um formigueiro. Pasmados ficamos, quando avistamos uma pequena multidão que saía das humildes habitações. Em pouco tempo formou-se um batalhão. Eram os parceleiros que vinham em nossa direção, cada um em sua condução. Uns com facão, outros com foice e arpão, a pé ou a cavalo com um menino na cabeça do arreio e outro na garupa do animal ou de monark com a companheira no banco traseiro de lado com um bebê no colo. Para a nova empreitada, junto com as enxadas, um desejo ardente que podia ser visto em seus rostos fitos de quem sempre lutou em busca de uma melhora e agora só restaria neste dia uma promessa para suas peripécias. Achegaram-se, cada um com sua suspeita. Apiaram de suas conduções e ressabiados abeiraram o sinistro casarão, onde esperávamos ansiosos. Sem perceber em nossa prosa, começaram a sorrir com desconfiança e no meio da conversa se desarmaram por completo. E com presteza desempenhamos nossa função, e foi assim que realizamos o mutirão.
5jun/082

E se eu morresse hoje?

Se eu morresse hoje alguns chorariam, alguns outros ririam.
Durante algum tempo várias pessoas se lembrariam de mim, e com o passar do tempo poucos ainda teriam essas lembranças.
Minha família lembraria por mais tempo, porém quanto mais tempo, menos pensamentos.
Minha namorada choraria e se encontrasse outro cara ficaria sempre imaginando como seria se tivéssemos nos casado, principalmente nos momentos de infelicidade imaginaria que comigo seria diferente.
Minha mãe sentiria falta até os últimos dias de sua vida.
Meu pai choraria até quando morresse.
Meus irmãos lembrariam com saudade, mas viveriam normalmente.
Meus amigos me esqueceriam e em poucas vezes lembrariam de mim, talvez do meu jeito de ser, nunca do meu rosto.
Os colegas de trabalho só enquanto eu não fosse substituído.
Aqueles que estudaram comigo, não, não lembrariam...
Enfim, se eu morresse hoje eu não faria falta nenhuma pra humanidade, só pra algumas pessoas.
Então não compensa eu morrer ainda, vou fazer uma história magnífica para que ao menos meu nome seja dado a um beco, ou a uma ponte!

Tenho dito!

5jun/080

SOBRE TEMPO E JABUTICABAS

Dedicado à minha amiga louca Dulcidelma
(autor desconhecido)

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui

para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquela menina que

ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ela chupou displicente,

mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.

Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.

Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem

eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos.

Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos para

reverter a miséria do mundo.

Não quero que me convidem para eventos de um fim de semana com a

proposta de abalar o milênio.

Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir

estatutos, normas, procedimentos e regimentos internos.

Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar

da idade cronológica, são imaturos.

Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de

"confrontação", onde "tiramos fatos a limpo".

Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo

de secretário geral do coral.

Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: "as pessoas não

debatem conteúdos, apenas os rótulos".

Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência,

minha alma tem pressa...

Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana,

muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com

triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua

mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja tão

somente andar ao lado de Deus.

Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse amor

absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo.

O essencial faz a vida valer a pena.

Há muitos milagres à nossa volta, só precisamos percebê-los.
Helena Roerich