Café Com Amigos
9dez/080

Cão tenta salvar amigo atropelado

Essa é a maior prova de que animais têm sentimentos.

23abr/080

O mutirão

Pelo escabroso caminho, onde o sol escaldante as fibras retorciam, dentre as chochas pairavam uma tristeza singela que nos arremetia uma angustia profunda. Avistamos uns meninos a correr com um certo espanto que nos trouxe a lembrança de nossa saudosa infância. Descalços e quase desnudos, com seus lábios carnudos corriam em direção de cancela. Pareciam querer delatar um acontecimento profícuo aos seus genitores. De fato. Dentro de alguns instantes o pequeno arraial pareceu ser um formigueiro. Pasmados ficamos, quando avistamos uma pequena multidão que saía das humildes habitações. Em pouco tempo formou-se um batalhão.
Eram os parceleiros que vinham em nossa direção, cada um em sua condução. Uns com facão, outros com foice e arpão, a pé ou a cavalo com um menino na cabeça do arreio e outro na garupa do animal ou de monark com a companheira no banco traseiro de lado com um bebê no colo.
Para a nova empreitada, junto com as enxadas, um desejo ardente que podia ser visto em seus rostos fitos de quem sempre lutou em busca de uma melhora e agora só restaria neste dia uma promessa para suas peripécias.
Achegaram-se, cada um com sua suspeita. Apiaram de suas conduções e ressabiados abeiraram o sinistro casarão, onde esperávamos ansiosos. Sem perceber em nossa prosa, começaram a sorrir com desconfiança e no meio da conversa se desarmaram por completo. E com presteza desempenhamos nossa função, e foi assim que realizamos o mutirão.

Rogério Alves de Carvalho, Goiás 16 de maio de 2006.

3mar/080

Palavras

E esconderam de mim seus olhos, deixando ocultado assim o brilho devastador de seu olhar. Fumegando em chamas ardentes, enlouquecedoras ondas de calor cobriram meu ser ao ouvir sua voz.

Clamei por socorro, mas já não adiantava, me via envolvido em teus gestos, em teu movimentar de dedos que percorriam seus cabelos. Cabelos que me fazem petrificar o olhar ao olhá-los, tal como a Medusa, mas ao contrário desse ser "indivino", você traz a beleza.

As ondas sonoras que se propagam dos teus lábios me fazem tremer e tricam meu ser como o barulho forte quebra o cristal. músicas toques de celular

Assim, busco fechar meus olhos, interceptar meu olfato, tapar meus ouvidos para que não seja envolvido na graciosa presença dessa linda garota, garota essa que quero sempre chamar de amor... quando o destino permitir e nos juntar envoltos numa manta de desejos!

14dez/070

Padre Chico

A vida é um caminho que ao percorrermos encontramos sonhos e desilusões, paixões e amores, amor e ódio. Mesmo com tantas atrações no caminho, a caminhada pela vida seria vã se nela não houvessem pessoas. mercado livre chocolate páscoa computador

Dentre tantas situações que passei, nas mais belas e nas mais tristes sempre haviam outras pessoas envolvidas. amor sexo sonhos viagens

Lembro-me que quando eu era um garoto, que buscava me espelhar nas pessoas adultas para seguir seus exemplos, construí na mente vários heróis. Heróis não como aqueles da TV, mas heróis de verdade. aposta software estude em casa

Ao crescer, percebi que os heróis que eu havia imaginado são, assim como eu, limitados. Porém suas limitações os tornam ainda mais heróis.

Senti necessidade de escrever as linhas anteriores para poder citar um homem que, quando olho minha vida, não há como deixar de perceber a importância dele para minha formação.

Seu nome?
Francisco Cavazzuti, ou como prefiro chamá-lo, Padre Chico.

Lembro-me a festa que meus irmãos e eu fazíamos sempre ao encontrá-lo.

Sempre sorridente e com uma paciência cativante, ele nos envolvia e dava-nos o sentimento de liberdade e responsabilidade que nós ainda crianças não entendíamos.

Sempre nos agradando com doces, presentes, ou com o que ele tinha de melhor a oferecer, as palavras carinhosas, que mesmo quando eram um “puxão de orelha”, como ele gostava de dizer, eram agradáveis.

Não há como esquecer o dia em que minha irmã mais nova nasceu e o Padre Chico, dentro do hospital, olhou pra mim com um sorriso belo e me perguntou com seu sotaque italiano:

- Como ela vai se chamar?

Mesmo que o mundo fosse contra, eu senti que o direito de escolher o nome de minha irmã tinha sido dado a mim e eu não o deixaria escapar, e após alguns segundos de reflexão falei com ar de razão:

- Carolina!

Mesmo sendo um homem que às crianças transmitia no sorriso a doçura do mel, Padre Francisco destilava o fel contra os que praticavam a injustiça. Discursava a favor dos pobres, dos oprimidos e isso fez com que homens poderosos o vissem como inimigo.

Tentaram tirar-lhe a vida, mas não conseguiram, só que roubaram-lhe a visão.

Eu ainda era um garoto, com apenas quatro ou cinco anos, porém lembro-me bem do dia em que ele voltou à casa paroquial de Sanclerlândia após o atentado. Era uma multidão que estava ali para recebê-lo, mostrando assim que ele era amado.

Sempre me sentia orgulhoso de estar perto do Padre Chico, de conduzi-lo até minha casa para que ele pudesse comer das pamonhas que minha mãe fazia.

Fui crescendo, aprendendo mais sobre a vida, porém lá estava o Padre Chico me aconselhando, me confortando em horas difíceis.

Sempre que eu ou minha família precisávamos de um conselho ou até mesmo de ajuda financeira, Padre Chico estava disposto a nos ajudar.

Muitos anos se passaram e hoje já não sou mais criança, porém pude contemplar seu sorriso ao brincar com meus primos pequenos, e posso dizer sem medo de errar que a doçura e a ternura de seu rosto ao sorrir permanecem.

Ainda tenho orgulho de dizer que sou amigo do Padre Chico, ainda sinto-me feliz ao ouvir sua voz com o belo sotaque italiano.

Logo após minha formatura, ao ler para ele minha oratória da colação de grau, me senti muito feliz quando ele me parabenizou dizendo que tinha ficado muito boa.

E de tantos aprendizados que obtive com este homem, posso dizer que meu caráter hoje é parte do que dele recebi.

Com o Padre Chico conheci a Deus, conheci as palavras de Jesus.

Ainda que hoje minha fé seja um pouco diferente da que ele me ensinou, não posso negar que a semente desta fé foi plantada e regada pelas mãos deste semeador.

Em meus vários momentos de reflexão, começo a perder a esperança nos homens, mas Deus em sua infinita misericórdia remete meus pensamentos à pessoa, ao sacerdote, ao homem Francisco Cavazzutti e assim meu coração se enche novamente desta esperança, pois vejo um exemplo de honra, dignidade, amor, fé, vitória...

Pra encerrar estas palavras, que espero, transmitam minha admiração e gratidão, citarei alguns versículos bíblicos:

Bem aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão saciados. Mt. 5,6.

Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará; Direi do Senhor: Ele é o meu Deus, o meu refúgio, a minha fortaleza e nele eu confio. Sl. 91,1-2.

E para finalizar, peço licença ao Pai e repito ao Padre Chico as bênçãos Apostólicas:

O Senhor te abençoe e te guarde; o Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti e te conceda graça; o Senhor volte para ti o seu rosto e te dê paz. (Números 6.24-26)

23ago/060

ABRAÇO DE PROSTITUTA!

Aquele abraço não foi um abraço comum, foi mais forte, foi mais sincero, foi um abraço de alguém que sofre, que precisa de apoio, que é desprezada pela sociedade, pelo homem, pela mulher, pelo ateu, pelo cristão, pelo bom e pelo mal.
Naquele abraço vinha sangue, vinha ternura, medo, incertezas, lágrimas e sorriso... um abraço, o abraço, aquele abraço...
O abraço de quem pôde por um momento ouvir que não é inferior a ninguém, que é valiosa.
Não foi um simples abraço, não foi um abraço qualquer, foi O abraço.
Ela tão extrovertida, tão desinibida, faladeira, parecia que trazia a felicidade embalada pra todo mundo, mas na verdade a felicidade estava amassada e envolta na tristesa que a imitava.
Um dia foste criança, adolescente e agora é uma mulher que a vida insiste em lhe dar porradas, insiste em massacrar, insiste e insiste em dizer que o nada é superior.
Vida não faz assim, vida deixe-a viver, vida por que tanta bondade com uns e tanto desprezo com outros.
Ela sabe amar, ela sabe querer, ela sabe sonhar, sabe desejar mas não sabe se libertar. Os motivos de não saber ela também não sabe.
Vida, me dê as chaves do cadeado, das correntes que a amarram. Vida me dê liberdade pra eu libertá-la, pra eu poder vê-la agradecer a vida.
E pisam-na, a humilham como se fosse trapo jogado. Farrapo inútil, objeto de desejo de quem a pisa. Dos pés que a pisam nasce seu sustentáculo, estes pés financiam sua ambição, financiam seu desespero, financiam seu medo.
Às vezes é confidente, é amante, é namorada. Às vezes é apenas um brinquedo prestes a ser jogado fora por homens que já não têm a inocência de uma criança.
Pra mim ela é mulher... e dessa mulher surgiu o abraço que não me sai da mente, esse abraço que não é em função da experiência, mas do desejo de ser reconhecida como gente. É o abraço forte, cativante, é o abraço de prostituta.