Léguas
Fiquei escravo de você, ainda que não te obedeci sempre que me pediu.
Fiquei servo de ti, então chorei ao vê-la partir.
Fiquei quietinho ouvindo a chuva despencar esperando que minha alma fosse lavada com todo aquele barulhão.
Deixei a goteira pingar, o chão se molhar e assim ficaria confuso discernir o que era água de Deus e o que era água do meu coração (lágrimas).
Quis ser criança pra ficar só no seu colo.
Quis ser menino pra passear e brincar de roda com você.
Quis ser adolescente, rebelde sem causa pra te dar trabalho;
Mas sou homem e o que posso te dar e pra sempre é amor.
Homem não chora... sou homem e chorei. Chorei dor, chorei seco, chorei angústia, chorei a faca fincada no peito, mas chorei!
Quando chorei senti suas lágrimas caindo em mim, então pensei o que sempre penso quando não sei: Por quê?
Abraço, beijo, te amo, tchau...
Agora choro de novo até que seu sorriso me faça novamente sorrir.
A vida e o luto eterno
Uns nascem, outros vivem, outros morrem.
Risos, lágrimas, dúvidas.

Uns lutam pra viver, outros desistem da vida.
É assim a vida com seu luto eterno.
A Morte

Morte, essa certeza incerta que me faz querer correr e chorar. Tantas dúvidas pairam nesse acontecimento que ocorre desde os primórdios da vida e nós, seres humanos, que já descobrimos tantas coisas ainda não aprendemos a evitá-la ou ao menos o que tem depois dela.
As teorias são as mais diversas e adversas, mas de fato só existem as dúvidas.
Morte, que faz as lágrimas rolarem (e como rolam acidamente), gritos aparecerem e o fim é anunciado. É como se parte de alguém fosse cortado.
Essa morte que me traz medo, espanto, curiosidades, ansiedade me faz lutar pela vida e me dá forças pra que quando eu cair nos braços dela eu tenha realizado ao menos um sonho, o de ser feliz de verdade!

Viajada
Publicado no Recanto das Letras em 07/02/2008Código do texto: T850254
Despedida?
Eles se conheceram e se apaixonaram. Porém a distância entre eles era enorme. Mesmo assim decidiram namorar. De repente ele decidiu terminar e começar um novo ciclo na vida. Crente que estava correto ele terminou tudo e começou um relacionamento com outra pessoa, então, ela escreveu uma carta...
Não sei o motivo de eu estar te escrevendo, mas acabei decidindo isto ontem à noite. Quero te dizer novamente que estou muito triste com esta decisão tomada por você, está doendo demais da conta, não estou agüentando, eu espero suportar tudo isto que esta acontecendo comigo.
Quando liguei para você na quarta-feira à noite eu queria te dizer várias coisas, mas não consegui, acabei chorando, no entanto só fiquei ouvindo novamente suas palavras já decididas. Eu despedi de você dizendo tchau, eu não tinha mais condições de falar mais nada.
Mas resolvi escrever... o quê eu ainda sinto por você, e também o que tenho vontade de falar pra você.
Eu nunca pensei que gostava tanto assim de ti, só agora eu percebi, com a sua perda o quanto eu gosto, aliás, eu estou apaixonada por você, só que não sabia expressar meus sentimentos. Você foi primeira pessoa no qual eu me apaixonei, nunca tinha sentido isto por nenhuma pessoa, porque eu sempre fugia dos homens no qual aproximavam de mim, pois eu tinha medo de sofrer, medo de confiar, e ser decepcionada, não queria ter sofrimento pra minha vida, porque eu generalizava todos os homens como aproveitadores.
Hoje eu penso...
- Com todo aquele medo que eu tinha... como eu fui me envolver tanto assim com você?
Posso concluir que caí em tentação e não resisti ao seu poder sedutor, confiei em ti, e quando a gente confia nas pessoas por algum motivo sempre acaba decepcionando por alguma razão, infelizmente o ser humano não é perfeito.
Eu também cometi um sério erro, eu deveria ter me preparado porque algum dia isso teria um fim, seja ele bom ou ruim.
Naquele dia por telefone eu queria te dizer também, que se você estava confuso, eu queria ir até você, conversar com você pessoalmente, talvez fosse até melhor. Eu estava decidida em ir até você no próximo final de semana agora, mesmo que fosse para ficar somente um dia, eu iria, porque gosto de você e não me conformo em ti perder pra outra pessoa..., mas você já tinha feito a escolha, e disse que não valia mais a pena, por questões de distância entre nós.
Dizem que quando existe amor entre duas pessoas, não importa a distância, e nem as dificuldades encontradas no caminho, basta somente elas quererem. Acho que existiu pelo menos um pouco de amor entre nós, mas não o suficiente.
Você poderia perguntar a mim se eu iria deixar tudo para viver com você agora. A minha resposta sincera é não. Mas se nosso relacionamento ficasse mais sério eu iria morar com você ou você comigo, só com algum tempo iríamos resolver esta questão.
Você chegou em minha vida em um instante e foi embora muito rápido. Mais rápido do que eu imaginava, sinceramente eu pensei que você agüentava toda aquela situação de ficarmos longe um do outro, se comunicando por telefone, e-mail e MSN, mas você não agüentou tanto tempo assim. Pensei também que iríamos decidir nossa situação, quando eu estivesse aí com você pessoalmente.
Como você próprio diz, você é uma pessoa frágil que necessita de contato, agora eu só não entendo se você sabia que era assim frágil porque se envolveu comigo sabendo que não poderia me abraçar e beijar constantemente.
Eu não estou pensando coisas negativas de você não, aliás, muito pelo contrário; somente coisas boas. Às vezes quando dá muita saudade fico lembrando de seus e-mails.
A minha opinião sobre você, não mudou em nada. Continuo lhe admirando pelo seu caráter honesto e trabalhador, sua sinceridade até exagerada, sua inteligência, seu poder de sedução, sua responsabilidade, sua criatividade e por ser um homem extremamente carinhoso. O que faz de você um homem por completo.
Acho que eu disse um pouco do que eu queria falar com você... sentirei muitas saudades suas, mas vou rezar bastante para que este sentimento termine. E também espero que futuramente isso vire uma amizade.
Após ler tais palavras ele chorou como criança longe da mãe, mas era firme em suas opiniões. Firmeza esta que mais tarde viria lhe mostrar o tamanho do erro que havia cometido.
Algum tempo depois os dois voltaram um para o outro e até hoje juram amores e ele promete nunca mais abandoná-la.
Depois de todos os fatos ocorridos dá pra se ver nos olhos deles o quanto se amam e o tamanho do erro que ele cometeria.
Olhos Fechados
Alaor Filho/AE
Edna Ezequiel, mãe de Alana, chora ao saber da morte da filha
Fechei meus olhos para ignorar o mundo, pra ignorar a verdade, pra ignorar a humanidade.
Quando eles ainda viam, ah! eles já viram, eu contemplava a barbárie humana. Via sangue correndo e escorrendo pelas esquinas. Via a morte parceira da vida.
Já vi beijos, abraços, carinhos e amassos que amassaram e deformaram amores, sonhos.
De um sorriso um brado de horror, de uma música júbilo de crueldade, de uma criança... desta vi a lágrima da inocência descer clamando ajuda no seu silêncio vibrante.
Fechei meus olhos e com ele meu coração. Não aceito mais a dor entrar em mim. Já não deixo que a compaixão me influencie.
Encho me de sofismas e acredito no que quero, do meu jeito, sem me preocupar mais com nada.
Ei motorista, percebes tu que o mundo está desgovernado?
Por favor, pare-o, quero descer.
Onde?
Na estação da paz, da liberdade, do respeito. Bem naquele lugar onde a criança sonha, o adulto é feliz e o velho demonstra seu sorriso banguela.
Ali voltarei a abrir meus olhos.
Mesmo fechando meus olhos, não consigo afastar as lembranças de terror que me cegaram pra que eu vivesse.
Então, por favor!
Pare o mundo que eu quero descer, quero abrir meus olhos e viver!
João Hélio Fernandes, de 6 anos, morreu na noite de quarta-feira após ser arrastado por 14 ruas, um trajeto de sete quilômetros que cruzou quatro bairros da zona norte do Rio. O menino foi levado pelos rapazes que roubaram o Corsa de sua mãe. O garoto ficou preso ao cinto de segurança, do lado de fora do veículo. Durante o trajeto, o menino teve a cabeça arrancada. O carro passou por um quartel do Exército, pelo Fórum e pela Policlínica da Polícia Militar. O crime causou comoção no Rio. http://www.estadao.com.br/ultimas/cidades/noticias/2007/fev/09/40.htm
Agora me entedam... vou continuar de olhos fechados!
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Eu e a Fossa
Existem situações no mundo que não consigo compreender. Dentre tantas uma está me assolando agora. Estou tentando entender os motivos de necessitarmos ficar meio tristes, meio deprê.
É tão bom sorrir, conversar, falar asneiras... mas de repente a mente, a alma anseia a amargura, se envaidece na tristeza e solicita a angústia como companheira. Não que eu ache que depressão seja um sentimento maravilhoso, mas ele entorpece o orgulho, enche o ego e fascina o medo.
Os sentimentos se confundem entre querer se alegrar e querer se “enfossar” ainda mais. Desculpe o neologismo, mas senti necessidade de cria-lo, afinal sempre dizemos quando estamos tristes que estamos numa fossa.
O dia todo foi legal, interessante, com responsabilidades, brincadeiras e certeza de que pra vencer tem que lutar. Já a noite veio a sensação de que é preciso ficar sozinho, sozinho mesmo, sem ninguém pra conversar, pra falar o que pensa, pra dar opinião que pra mim, ao menos agora, não servirá pra nada, a não ser pra alimentar o rancor que surge nestes momentos de baixa auto-estima.
O que mais contradiz minha mente é o ser humano sempre estar buscando a felicidade e alimentar tanto a tristeza. Eu mesmo estou aqui numa necessidade de sorrir, mas a falta de alegria me faz ouvir músicas depressivas, alimentar saudades, questionar atitudes, enfim, me faz fechar os olhos pra ver se as lágrimas vêm.
Eu, um homem forte, alegre, inteligente e sagaz me vejo derrubado por nada, sem motivos. Mesmo assim as pessoas insistem em estar falando comigo, ora, deixe-me curtir o desgaste da minha alma nesse veneno mortal que satisfaz-me, não fale comigo, me deixe sonhar como eu quero sonhar. Suas opiniões não me valem agora, o que me valem sou eu e eu.
Eu mesmo, homem forte, alegre, inteligente e com a sagacidade em xeque quero amar e odiar ao mesmo tempo. Quero carinho e aversão, quero contradizer o gostar, quero cuspir no sorriso e cantar cânticos fúnebres nas festas de salão.
Quero ver a natureza bela, ao passo que acendo fogo pra queimar tudo ao meu redor, e no fogo ver a beleza que saía do sorriso de quem já me apaixonei.
Não quero a morte, não quero sentir o cheiro dela, não quero pensar nela, mas a quero do meu lado me fazendo refletir sobre a vida, assim chegarei a conclusão que viver é lindo e a beleza é triste, e a tristeza, ah, essa quer me abraçar como um manto que me cobre nas noites mais gélidas desse país tropical.
Mas ainda insistem em me atazanar, me falando coisas que não me interessam. Quero paz, paz pra mim. Não me atormente, por favor, deixe me acabar de escrever esta inutilidade!
Já que não me deixam em paz, vou é mesmo parar de escrever e sonhar com a poeira dos olhos de quem nunca olhou pra mim...









