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fevereiro 25th, 2010 | Louco que escreveu: Cristiano Vieira

Henrique MeirellesA primeira vez que ouvi falar de Henrique Meirelles ele tinha há pouco tempo deixado de ser presidente do Bank Boston.

Ele ainda visava a eleição para Deputado Federal em Goiás e estava  ministrando várias palestras, fazendo uma campanha fora do tempo de forma velada.

O ano era 2002 e há pouco eu tinha passado no vestibular. Após ouvir sua fala, suas argumentações discordei com algumas coisas e com outras concordei. Mas o que mais me chamou a atenção na oportunidade é que ele apesar de estar pretendendo se candidatar a Deputado Federal por Goiás, desconhecia a sigla da Universidade Estadual de Goiás, UEG.

Na oportunidade ele leu a sigla como “uégui” e não “U-E-G”.

Fiquei questionando comigo mesmo o que levaria alguém a votar naquele homem para ser seu representante se ele desconhecia até o nome dos órgãos que ele iria ajudar a administrar.

Porém, após sua eleição vitoriosa, sagrando-se o campeão de votos no estado de Goiás naquela eleição, Henrique Meirelles renunciou ao mandato de Deputado Federal para assumir o cargo de Presidente do Banco Central do Brasil a convite do Presidente Lula.

A partir daí consegui visualizar um homem de grande competência e conhecimento, que de lá pra cá vem comandando com maestria o Banco Central.

Não entendo de economia, tenho pouco conhecimento do assunto mas pude perceber que na tão falada Crise Mundial recente o Brasil passou com louvor e sem tantas dificuldades.

Entendo que as políticas governamentais e corte de impostos foram cruciais para que o Brasil tivesse força para passar pela crise e superá-la, mas vejo também que o Banco Central foi um dos grandes responsáveis pelo êxito brasileiro nesse desafio.

A responsabilidade com a qual aquela entidade fora conduzida tem nos permitido não sentir de maneira aguda os efeitos da crise.

Diante de tal fato eu gostaria que para sucessão do Presidente Lula tivesse como candidato Henrique Meirelles.

Apesar de todos os apelos e marketing em cima de Dilma Roussef eu não a vejo com bons olhos. Parece que a sombra da ditatura está estampada em seus olhos e que a responsabilidade com a economia não será um de seus pontos fortes.

Já com Henrique Meirelles é diferente. Um homem com grande capacidade e de conhecimento ímpar de economia, que acredito eu, escolheria bem seus ministros e continuaria levando o Brasil para se tornar uma grande pontência mundial.

Apesar de todos estes meus desejos, não o veria como um candidato forte para o Governo de Goiás, o que a princípio foi muito cogitado.

O que tem me incomodado é que o presidente do BC se filiou ao PMDB. Partido esse que não inspira qualquer confiança, pois é instável e parece mais uma meretriz na política, que se vende por cargos no melhor estilo leilão (quem dá mais).

E outra, o PMDB por estar sempre na SITUAÇÃO e nunca na OPOSIÇÃO não pode governar, pois é a maior massa de manobra dentro do Senado e da Assembléia Legislativa. Caso o executivo esteja na mão do PMDB a manobra ficará mais complicada, além de ser um partido que a maioria de seus políticos visa muito benefícios próprios.

Sei que muitos partidos são assim, mas com a força do PMDB a situação é mais escancarada e vergonhosa.

Porém, Henrique Meirelles para presidente seria uma boa, menos pelo PMDB.

Veja o que o blog do Cris Dias fala sobre Dilma x Serra

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janeiro 22nd, 2010 | Louco que escreveu: Cristiano Vieira

Por Eduardo Galeano, em Resumen Latinoamericano, via Resistir.info

A democracia haitiana nasceu há um instante. No seu breve tempo de vida, esta criatura faminta e doentia não recebeu senão bofetadas. Era uma recém-nascida, nos dias de festa de 1991, quando foi assassinada pela quartelada do general Raoul Cedras. Três anos mais tarde, ressuscitou. Depois de haver posto e retirado tantos ditadores militares, os Estados Unidos retiraram e puseram o presidente Jean-Bertrand Aristide, que havia sido o primeiro governante eleito por voto popular em toda a história do Haiti e que tivera a louca ideia de querer um país menos injusto.

O voto e o veto

Para apagar as pegadas da participação estadunidense na ditadura sangrenta do general Cedras, os fuzileiros navais levaram 160 mil páginas dos arquivos secretos. Aristide regressou acorrentado. Deram-lhe permissão para recuperar o governo, mas proibiram-lhe o poder. O seu sucessor, René Préval, obteve quase 90 por cento dos votos, mas mais poder do que Préval tem qualquer chefete de quarta categoria do Fundo Monetário ou do Banco Mundial, ainda que o povo haitiano não o tenha eleito nem sequer com um voto.

Mais do que o voto, pode o veto. Veto às reformas: cada vez que Préval, ou algum dos seus ministros, pede créditos internacionais para dar pão aos famintos, letras aos analfabetos ou terra aos camponeses, não recebe resposta, ou respondem ordenando-lhe:
– Recite a lição. E como o governo haitiano não acaba de aprender que é preciso desmantelar os poucos serviços públicos que restam, últimos pobres amparos para um dos povos mais desamparados do mundo, os professores dão o exame por perdido.

O álibi demográfico

Em fins do ano passado, quatro deputados alemães visitaram o Haiti. Mal chegaram, a miséria do povo feriu-lhes os olhos. Então o embaixador da Alemanha explicou-lhe, em Porto Príncipe, qual é o problema: – Este é um país superpovoado, disse ele. A mulher haitiana sempre quer e o homem haitiano sempre pode.

E riu. Os deputados calaram-se. Nessa noite, um deles, Winfried Wolf, consultou os números. E comprovou que o Haiti é, com El Salvador, o país mais superpovoado das Américas, mas está tão superpovoado quanto a Alemanha: tem quase a mesma quantidade de habitantes por quilômetro quadrado.

Durante os seus dias no Haiti, o deputado Wolf não só foi golpeado pela miséria como também foi deslumbrado pela capacidade de beleza dos pintores populares. E chegou à conclusão de que o Haiti está superpovoado… de artistas.

Na realidade, o álibi demográfico é mais ou menos recente. Até há alguns anos, as potências ocidentais falavam mais claro.

A tradição racista

Os Estados Unidos invadiram o Haiti em 1915 e governaram o país até 1934. Retiraram-se quando conseguiram os seus dois objetivos: cobrar as dívidas do Citybank e abolir o artigo constitucional que proibia vender as plantations aos estrangeiros. Então Robert Lansing, secretário de Estado, justificou a longa e feroz ocupação militar explicando que a raça negra é incapaz de governar-se a si própria, que tem “uma tendência inerente à vida selvagem e uma incapacidade física de civilização”. Um dos responsáveis pela invasão, William Philips, havia incubado tempos antes a ideia sagaz: “Este é um povo inferior, incapaz de conservar a civilização que haviam deixado os franceses”.

O Haiti fora a pérola da coroa, a colônia mais rica da França: uma grande plantação de açúcar, com mão-de-obra escrava. No Espírito das leis, Montesquieu havia explicado sem papas na língua: “O açúcar seria demasiado caro se os escravos não trabalhassem na sua produção. Os referidos escravos são negros desde os pés até à cabeça e têm o nariz tão achatado que é quase impossível deles ter pena. Torna-se impensável que Deus, que é um ser muito sábio, tenha posto uma alma, e sobretudo uma alma boa, num corpo inteiramente negro”.

Em contrapartida, Deus havia posto um açoite na mão do capataz. Os escravos não se distinguiam pela sua vontade de trabalhar. Os negros eram escravos por natureza e vagos também por natureza, e a natureza, cúmplice da ordem social, era obra de Deus: o escravo devia servir o amo e o amo devia castigar o escravo, que não mostrava o menor entusiasmo na hora de cumprir com o desígnio divino. Karl von Linneo, contemporâneo de Montesquieu, havia retratado o negro com precisão científica: “Vagabundo, preguiçoso, negligente, indolente e de costumes dissolutos”. Mais generosamente, outro contemporâneo, David Hume, havia comprovado que o negro “pode desenvolver certas habilidades humanas, tal como o papagaio que fala algumas palavras”.

A humilhação imperdoável

Em 1803 os negros do Haiti deram uma tremenda sova nas tropas de Napoleão Bonaparte e a Europa jamais perdoou esta humilhação infligida à raça branca. O Haiti foi o primeiro país livre das Américas. Os Estados Unidos haviam conquistado antes a sua independência, mas tinha meio milhão de escravos a trabalhar nas plantações de algodão e de tabaco. Jefferson, que era dono de escravos, dizia que todos os homens são iguais, mas também dizia que os negros foram, são e serão inferiores.

A bandeira dos homens livres levantou-se sobre as ruínas. A terra haitiana fora devastada pela monocultura do açúcar e arrasada pelas calamidades da guerra contra a França, e um terço da população havia caído no combate. Então começou o bloqueio. A nação recém nascida foi condenada à solidão. Ninguém lhe comprava, ninguém lhe vendia, ninguém a reconhecia.

O delito da dignidade

Nem sequer Simón Bolívar, que tão valente soube ser, teve a coragem de firmar o reconhecimento diplomático do país negro. Bolívar havia podido reiniciar a sua luta pela independência americana, quando a Espanha já o havia derrotado, graças ao apoio do Haiti. O governo haitiano havia-lhe entregue sete naves e muitas armas e soldados, com a única condição de que Bolívar libertasse os escravos, uma ideia que não havia ocorrido ao Libertador. Bolívar cumpriu com este compromisso, mas depois da sua vitória, quando já governava a Grande Colômbia, deu as costas ao país que o havia salvo. E quando convocou as nações americanas à reunião do Panamá, não convidou o Haiti mas convidou a Inglaterra.

Os Estados Unidos reconheceram o Haiti apenas sessenta anos depois do fim da guerra de independência, enquanto Etienne Serres, um gênio francês da anatomia, descobria em Paris que os negros são primitivos porque têm pouca distância entre o umbigo e o pênis. Por essa altura, o Haiti já estava em mãos de ditaduras militares carniceiras, que destinavam os famélicos recursos do país ao pagamento da dívida francesa. A Europa havia imposto ao Haiti a obrigação de pagar à França uma indenização gigantesca, a modo de perdão por haver cometido o delito da dignidade.

A história do assédio contra o Haiti, que nos nossos dias tem dimensões de tragédia, é também uma história do racismo na civilização ocidental.

Eduardo Galeano é escritor

Categoria: Política, Preconceito, Racismo, Reflexões, Revolta  | Tags:  | Comente
novembro 25th, 2009 | Louco que escreveu: abadiojose

É incrivel a capacidade que as pessoas tem para criticarem a presidenciavel Dilma Roussef, e absolverem o Serra. Digo isso por que se a Dilma vai a uma inauguração ela é taxada de estar fazendo campanha antes da hora e se o Serra vai a uma inauguração ele esta mostrando trabalho.

Não sei qual é a diferença entre os dois, aliás eu sei sim é por que essa pseudo elite nao admite que um trabalhador ou uma trabalhadora seja eleito ou eleita presidente do Brasil e se o for nao pode governar sob o argumento de que é analfabeto e tudo mais, me refiro assim ao Lula, que com muita sabedoria a indicou como ministra chefe da Casa Civil.

Uma pessoa extremamente competente com todas qualidades e possibilidades de ser eleita presidente da Republica, mas a elite diz que nao pode so por que ela além de mulher é de um partido que é de esquerda e dos trabalhadores.

Essa semana em um programa desses de tv vi o Serra dando uma longa entrevista falando de suas conquitas e seus feitos como governador e ninguem fala nada, isso por que ele faz parte da falsa elite que gosta de tudo que ele fala e se esquece que ele mais parece um rolo compressor do que um politico

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setembro 25th, 2009 | Louco que escreveu: Cristiano Vieira

Com a descrença geral na candidatura Dilma Rousseff, Brasília foi inundada ontem por previsões de que o presidente Lula poderá rever seus planos para a sucessão.

Esse desânimo coincidiu com a notícia (já confirmada) de que o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, topou desistir da candidatura ao governo de Goiás para ficar no BC até o fim do mandato de Lula.

E se a desistência não se deveu à oposição da direção goiana do PMDB, como a imprensa noticiou, mas sim – de verdade – a um pedido do presidente? Meirelles, para alguns, tornou-se nome reserva para assumir a candidatura governista, com amplo apoio dos mais importantes setores empresariais do País.

A frase de Roberto Jefferson, presidente nacional do PTB, deixou de ter apenas manifestação de desejo, ganhou ares de profecia: “Meirelles é muito bem-vindo no PTB, até para ser candidato a presidente da República.”

E o PT – já se pergunta – toparia lançar d. Dilma ou outro nome forte para a vice-presidência? E o PMDB aceitaria esse novo esquema em troca de outros apoios a suas candidaturas estaduais?

Amigos mais próximos a Meirelles confirmam que, desde sua entrada na política como candidato federal, ele nunca escondeu ter o sonho de chegar à presidência da República…

Fonte: Jornal Diário da Manhã

Eu já imaginava isso!