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março 06th, 2010 | Louco que escreveu: Cristiano Vieira

Meu Pé de Laranja LimaAo ler o livro Meu Pé de Laranja Lima de José Mauro de Vasconcelos me deparei com uma história linda e triste, que emociona e faz refletir.

Uma história vivida por um menino pobre de família problemática e vários irmãos. Zezé é esse menino, que de tão custoso (custoso em Goiás é o mesmo que levado) que era vivia apanhando e era tido como filho do diabo.

Com suas peraltices ele aprontava muito, o que não o impedia de ser amoroso e sonhador. Com uma grande capacidade lúdica Zezé conseguia viver uma vida paralela, levando inclusive seu irmão mais novo, o qual ele chamava de Rei Luís, a viver nesse universo da imaginação.

Ante tantos problemas sociais, seu pai desempregado, sua mãe trabalhando arduamente em uma fábrica, Zezé era cuidado por irmãos, sendo que cada um deles tinha seu jeito de agir e pensar, tendo em sua irmã Glória sua maior companheira nas horas difíceis.

De jeito cativante, Zezé conquistou uma árvore, um Pé de Laranja Lima do qual se tornou grande amigo, mas não só de árvores e imaginação eram feitas suas amizades, Zezé também conquistou um português o qual lhe tinha com muita estima.

Dados os relatos, para não estragar a magia do livro, aconselho-lhe a lê-lo.

No livro há várias ocorrências onde Zezé leva surras e em duas delas, surras de quase ser morto. Apanhou tanto de seus irmãos quanto de seu pai.

Zezé, menino curioso e cativante, com suas travessuras sempre levava umas varadas, ou palmadas e em alguns momentos socos de ter dentes quebrados.

Criança de cinco anos que sonhava e tinha uma inteligência impar, que, porém se via esbarrado na incapacidade dos adultos de compreenderem o mundo infantil, seja pelas dificuldades sociais/financeiras ou seja simplesmente pela incompreensão que os crescidos tem para com os pequeninos.

Ante a leitura do livro comecei a perceber como as crianças hoje são tratadas. Geralmente como adultos em miniaturas ou bonecos de porcelana. É-lhes tirado o direito de imaginar, sonhar. Não lhes é outorgado o direito de viver o lúdico, de brincar de cavalo de pau e ser cowboy.

Crianças que cuidam de crianças e crianças que são criadas cheias de não-me-toque, não dando lhes chance de viver a infância de forma que descubram a vida de forma aprazível, gerando adultos revoltados e/ou deprimidos.

Crianças que convivem com a violência, com a fome, com a falta de carinho e atenção. Ou então convivem com brinquedos eletrônicos em detrimento do aconchego de um colo.

Crianças que descobrem o que é perder muito cedo, mas que escondem suas dores por medo de repreensão.

Sinto aquele menino, o Zezé, como se ele estivesse ao meu lado, com os olhos cheios de lágrimas por não poder viver sua infância com segurança. A cada hora que vejo um pai maltratando um filho, a cada hora que a paciência é perdida com a criança depois de um dia cansativo, a cada vez que vejo os problemas financeiros desestruturando pais amáveis outrora… Meu coração se parte.

Muitas vezes quando eu era criança apanhei, apanhei um bocado por ser muito chato (realmente eu era e ainda sou muito chato). Minhas chatices vinham da necessidade de carinho, de colo. Vinha da necessidade de ver um pai presente, de poder ganhar um presente legal, de poder me vestir com uma roupinha bonita.

Minha chatice vinha da necessidade de eu não ter que ouvir toda vez que eu estava na rua que eu era feio.

Ainda hoje ouço isso e até me acostumei (claro que sei que é mentira), mas para uma criança é difícil.

Por ser peralta Zezé era tido como um demoniozinho, enquanto que para ele ser angelical ele precisava apenas de atenção e carinho.

Percebo então que a criança, por mais precoce que pareça, necessita de viver sua infância.

Então quando vires uma criança montada em um cabo de vassoura a galopar em seu cavalo, incentive-a, não lhe tire a ilusão.

Deixe o lúdico ir se tornando razão em seu tempo, pois a criança terá muito tempo para poder entender a podridão desse mundo, mas enquanto ela quer ser apenas criança não matemos esse desejo, afinal de contas se estamos rancorosos não devemos descontar naqueles que ainda estão apenas descobrindo a crueldade desse mundo.

Não sou especialista em educação, em criação de filhos ou quaisquer disciplinas relacionadas a este assunto, portanto este não é um artigo científico e sim, somente de mera opinião.

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janeiro 22nd, 2010 | Louco que escreveu: Cristiano Vieira

Por Eduardo Galeano, em Resumen Latinoamericano, via Resistir.info

A democracia haitiana nasceu há um instante. No seu breve tempo de vida, esta criatura faminta e doentia não recebeu senão bofetadas. Era uma recém-nascida, nos dias de festa de 1991, quando foi assassinada pela quartelada do general Raoul Cedras. Três anos mais tarde, ressuscitou. Depois de haver posto e retirado tantos ditadores militares, os Estados Unidos retiraram e puseram o presidente Jean-Bertrand Aristide, que havia sido o primeiro governante eleito por voto popular em toda a história do Haiti e que tivera a louca ideia de querer um país menos injusto.

O voto e o veto

Para apagar as pegadas da participação estadunidense na ditadura sangrenta do general Cedras, os fuzileiros navais levaram 160 mil páginas dos arquivos secretos. Aristide regressou acorrentado. Deram-lhe permissão para recuperar o governo, mas proibiram-lhe o poder. O seu sucessor, René Préval, obteve quase 90 por cento dos votos, mas mais poder do que Préval tem qualquer chefete de quarta categoria do Fundo Monetário ou do Banco Mundial, ainda que o povo haitiano não o tenha eleito nem sequer com um voto.

Mais do que o voto, pode o veto. Veto às reformas: cada vez que Préval, ou algum dos seus ministros, pede créditos internacionais para dar pão aos famintos, letras aos analfabetos ou terra aos camponeses, não recebe resposta, ou respondem ordenando-lhe:
– Recite a lição. E como o governo haitiano não acaba de aprender que é preciso desmantelar os poucos serviços públicos que restam, últimos pobres amparos para um dos povos mais desamparados do mundo, os professores dão o exame por perdido.

O álibi demográfico

Em fins do ano passado, quatro deputados alemães visitaram o Haiti. Mal chegaram, a miséria do povo feriu-lhes os olhos. Então o embaixador da Alemanha explicou-lhe, em Porto Príncipe, qual é o problema: – Este é um país superpovoado, disse ele. A mulher haitiana sempre quer e o homem haitiano sempre pode.

E riu. Os deputados calaram-se. Nessa noite, um deles, Winfried Wolf, consultou os números. E comprovou que o Haiti é, com El Salvador, o país mais superpovoado das Américas, mas está tão superpovoado quanto a Alemanha: tem quase a mesma quantidade de habitantes por quilômetro quadrado.

Durante os seus dias no Haiti, o deputado Wolf não só foi golpeado pela miséria como também foi deslumbrado pela capacidade de beleza dos pintores populares. E chegou à conclusão de que o Haiti está superpovoado… de artistas.

Na realidade, o álibi demográfico é mais ou menos recente. Até há alguns anos, as potências ocidentais falavam mais claro.

A tradição racista

Os Estados Unidos invadiram o Haiti em 1915 e governaram o país até 1934. Retiraram-se quando conseguiram os seus dois objetivos: cobrar as dívidas do Citybank e abolir o artigo constitucional que proibia vender as plantations aos estrangeiros. Então Robert Lansing, secretário de Estado, justificou a longa e feroz ocupação militar explicando que a raça negra é incapaz de governar-se a si própria, que tem “uma tendência inerente à vida selvagem e uma incapacidade física de civilização”. Um dos responsáveis pela invasão, William Philips, havia incubado tempos antes a ideia sagaz: “Este é um povo inferior, incapaz de conservar a civilização que haviam deixado os franceses”.

O Haiti fora a pérola da coroa, a colônia mais rica da França: uma grande plantação de açúcar, com mão-de-obra escrava. No Espírito das leis, Montesquieu havia explicado sem papas na língua: “O açúcar seria demasiado caro se os escravos não trabalhassem na sua produção. Os referidos escravos são negros desde os pés até à cabeça e têm o nariz tão achatado que é quase impossível deles ter pena. Torna-se impensável que Deus, que é um ser muito sábio, tenha posto uma alma, e sobretudo uma alma boa, num corpo inteiramente negro”.

Em contrapartida, Deus havia posto um açoite na mão do capataz. Os escravos não se distinguiam pela sua vontade de trabalhar. Os negros eram escravos por natureza e vagos também por natureza, e a natureza, cúmplice da ordem social, era obra de Deus: o escravo devia servir o amo e o amo devia castigar o escravo, que não mostrava o menor entusiasmo na hora de cumprir com o desígnio divino. Karl von Linneo, contemporâneo de Montesquieu, havia retratado o negro com precisão científica: “Vagabundo, preguiçoso, negligente, indolente e de costumes dissolutos”. Mais generosamente, outro contemporâneo, David Hume, havia comprovado que o negro “pode desenvolver certas habilidades humanas, tal como o papagaio que fala algumas palavras”.

A humilhação imperdoável

Em 1803 os negros do Haiti deram uma tremenda sova nas tropas de Napoleão Bonaparte e a Europa jamais perdoou esta humilhação infligida à raça branca. O Haiti foi o primeiro país livre das Américas. Os Estados Unidos haviam conquistado antes a sua independência, mas tinha meio milhão de escravos a trabalhar nas plantações de algodão e de tabaco. Jefferson, que era dono de escravos, dizia que todos os homens são iguais, mas também dizia que os negros foram, são e serão inferiores.

A bandeira dos homens livres levantou-se sobre as ruínas. A terra haitiana fora devastada pela monocultura do açúcar e arrasada pelas calamidades da guerra contra a França, e um terço da população havia caído no combate. Então começou o bloqueio. A nação recém nascida foi condenada à solidão. Ninguém lhe comprava, ninguém lhe vendia, ninguém a reconhecia.

O delito da dignidade

Nem sequer Simón Bolívar, que tão valente soube ser, teve a coragem de firmar o reconhecimento diplomático do país negro. Bolívar havia podido reiniciar a sua luta pela independência americana, quando a Espanha já o havia derrotado, graças ao apoio do Haiti. O governo haitiano havia-lhe entregue sete naves e muitas armas e soldados, com a única condição de que Bolívar libertasse os escravos, uma ideia que não havia ocorrido ao Libertador. Bolívar cumpriu com este compromisso, mas depois da sua vitória, quando já governava a Grande Colômbia, deu as costas ao país que o havia salvo. E quando convocou as nações americanas à reunião do Panamá, não convidou o Haiti mas convidou a Inglaterra.

Os Estados Unidos reconheceram o Haiti apenas sessenta anos depois do fim da guerra de independência, enquanto Etienne Serres, um gênio francês da anatomia, descobria em Paris que os negros são primitivos porque têm pouca distância entre o umbigo e o pênis. Por essa altura, o Haiti já estava em mãos de ditaduras militares carniceiras, que destinavam os famélicos recursos do país ao pagamento da dívida francesa. A Europa havia imposto ao Haiti a obrigação de pagar à França uma indenização gigantesca, a modo de perdão por haver cometido o delito da dignidade.

A história do assédio contra o Haiti, que nos nossos dias tem dimensões de tragédia, é também uma história do racismo na civilização ocidental.

Eduardo Galeano é escritor

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dezembro 29th, 2009 | Louco que escreveu: Cristiano Vieira
Simpatia Ano Novo

Sempre no final de ano as pessoas recorrem às simpatias para que o ano vindouro seja melhor que o que passou.

Segue então uma lista de simpatias que com certeza ajudarão o seu ano ser muito melhor:

Saúde:
Faça exercícios;
Tenha alimentação balanceada e saudável;
Evite bebedeiras;

Dinheiro:
Infelizmente não tenho receita pra se ganhar muito dinheiro, mas sei que trabalho é uma das opções honestas para se adquirir ao menos um pouco.

Amor:
Se você é uma pessoa muito chata, insuportável e acha que o mundo está ao seu redor, me desculpe mas você não vai encontrar um amor.
Seja sincero;
Não queira que a pessoa faça todas suas vontades;
Aceite erros;
Não queira príncipe se você não for princesa;
Não queira princesa se você não é príncipe.

Trabalho:
O mercado de trabalho tem muitas oportunidades então para conseguir um bom trabalho o melhor é se aperfeiçoar;
Estude;
Busque profissões em que há carência de profissionais;
Faça cursos profissionalizantes;

Paz:
Não, o mundo não ficará em paz. Mas ao menos tente ser mais educado.
Busque não querer sempre ter razão;
Aceite as diferenças;

Então, estas foram minhas dicas para que você tenha um ótimo ano.
Enfim, o melhor é ter atitude, pois lentilhas, roupa branca e presentes para rainha do mar… Não funcionam.

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dezembro 29th, 2009 | Louco que escreveu: Cristiano Vieira

2010Fim de ano o melhor é ficar reflexivo, pensando quais contas pagaremos no próximo ano. Que atitudes teremos no amanhã.

Como eu sempre digo, o próximo ano só será melhor se você for melhor no ato de agir.

Então, novamente desejo a todos Feliz Ano Novo, Feliz Atitude Nova.

PS.: Baixe aqui o calendário 2010.

Em 2010 voltaremos com a programação normal.

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