Pessoal

Punhal

Autor: Cristiano Vieira


Um punhal entrou em meu ser, me feriu, cortou meus pulsos devido apenas a conclusões.
O que vocês tem a ver com isso?
Nada, por isso não escreverei mais nada sobre este fato…

Crônica, Música, Pensamentos, Pessoal, Poesia

Puro sangue puxando carroça!

Autor: Cristiano Vieira

Em mais um dia de trabalho (não árduo, até prazeroso) tive um momento de reflexão, não quando eu estava trabalhando, mas quando eu estava indo almoçar…
Reflexão esta que não se originou de minha mente acomodada, mas de mentes alheias que contribuem tanto pra que minha mente funcione, reflita e se culpe e desculpe pelos erros e anseios do “não pensar” e do “não fazer direito”.
Mas voltando ao fato gerador da reflexão, este foi apenas um fato “corriqueiro” de nossas abastadas cidades, onde o belo se contradiz ao trágico. O fato é que um homem puxava uma carroça.
Tá bom, sei que vocês já viram isso antes e veremos ainda por muito tempo.
Pra dar continuidade no meu raciocínio vai um trecho da música “Dom Quixote” dos Engenheiros do Hawaii:

“Muito prazer, meu nome é otário
Vindo de outros tempos mas sempre no horário
peixe fora d’água, borboletas no aquário
Muito prazer, meu nome é otário
na ponta dos cascos e fora do páreo
puro sangue, puxando carroça”

Como pode um homem, o ser dominador do mundo puxar carroça?
Como pode um bípede se tornar em um equino para poder comer, não as favas pra onde devo mandar muita gente, mas comer o pão, mesmo que esse seja o que o Diabo amassou, se é pra sobreviver vale até farofa de macumba, ou vale ser esculhambado, olhado com rejeição, ser olhado como lixo, lixo este que estava dentro da carroça.
No momento pode até dar dó, doer por dentro, então (aí sim vem a reflexão) eu viro meu rosto e imagino belas paisagens, ou eu olho, deixo-me torturar como um masoquista pra depois dizer que fiquei com dó, ou faço pior, pego alí alguns centavos e entrego pra ele e digo: – Compre algo pra você comer!
Agora sim, quem tem que ir as favas sou eu.
O preço da minha consciência?
Apenas algumas moedas.
Sim, ao dar algumas moedas ao puxador de carroça, puro sangue por sinal, eu estou abdicando me da culpa, me sentino um santo que ajuda nas causas alheias e que amo segundo Jesus mandou.
É, na verdade aquela vergonhosa esmola é pra comprar minha consciência, sarar meu orgulho ferido e matar a vontade de agir de uma forma realmente justa e inteligente pra que a situação mude, ou, ao menos melhore.
E o pior ainda está por vir.
Quando vejo um deputado que se vende por alguns mil reais ou doláres fico indignado. Que vergonha! Ainda reclamo! Mas eu me vendi por moedas, algumas moedas.
É, minha honestidade é herege…

Crônica, História, Informática, Pensamentos, Pessoal, Poesia, Reflexões, Saudade

Minha oratória na formatura

Autor: Cristiano Vieira

Desde criança eu sinto medo. Medo de perder, medo de ter que mudar, medo de enfrentar a realidade, mas aprendi, forçadamente, que o corajoso não é quem não tem medo, mas sim quem consegue superar esse medo, ir contra ele.

Um desses medos foi entrar na escola; com o tempo o medo maior foi não passar no vestibular, porém, se por destino, se por benção de Deus, se por mérito ou sorte eu consegui vencer esta etapa e comigo outras 39 pessoas que pleiteavam ali sonhos.

Alguns, no início da caminhada desistiram; outros no meio dela decidiram por caminhar em novas estradas; outros fizeram valer aquele velho ditado que diz: “Nadou, nadou e morreu na praia”.

Quatro anos foram se formando, não passando, mas sendo construídos de formas peculiares, onde sonhar sempre se fez preciso pra que chegássemos aqui, neste momento tão almejado por nós, por amigos e pelos nossos pais.

Tivemos que programar nossas mentes, algumas vezes até como mecanismos de defesa, pra que não desistíssemos de alcançar o alvo.

Se eu desistir

Então

Poderei me arrepender senão

Já me arrependi;

E entre vários se’s e senão’s fomos criando condições, prevendo e resolvendo exceções; formatando hábitos; deletando desesperos; abrindo novas páginas; e corrigindo falhas que poderiam ser críticas.

Nunca fomos um sistema perfeito.

Nunca fomos seres perfeitos em perfeita união, então pudemos ver que não somos máquinas que não funcionam com conflitos, mas sim, somos seres humanos que buscamos aceitar as diferenças e assim trabalhamos em conjunto.

Fomos processando cada etapa e em certos momentos pensamos que já não havia mais linhas a serem lidas e interpretadas, porém o próximo minuto já nos remetia a novos horizontes.

Naquela Universidade, naquele prédio improvisado, naquele dia de água e farinha de trigo começamos a perceber que a relação entre humanos não é programada, é construída com o tempo, e de colegas passamos a amigos.

Começamos então a conhecer pessoas que não tem nada a ver conosco, mas que são especiais. Conhecemos também pessoas que parecem muito conosco e mesmo assim são especiais. Amizades surgiram, amores, paixões e até seres celestiais, eu particularmente, percebi que havia entre nós, um anjo escondido entre nós que até hoje tenta esconder suas asas.

Quando tudo ainda era novidade e os sorrisos se misturavam às incertezas enfrentamos com garra; agora que tudo vai se transformando a cada dia em passado distante, as incertezas se misturam a choro que se mistura a sorrisos que se mistura à força que se mistura e se mistura e formam um composto homogêneo que somos nós. Composto este formado de pessoas feitas de sentimentos.

Nossa formula?

Eu não tenho como descrevê-la, mas eu sempre sonhei que o principal elemento deste composto fosse o AMOR, que se mostra escasso em dias de individualismo.

Este elemento pode estar escasso, porém víamos-no tomar proporções grandiosas quando alguém precisava de um ombro amigo, de um conselho, de um puxão de orelha, e, até de uma colinha – que atire a primeira pedra quem nunca colou, mas não atire-a em mim, pois eu também não colava… pouco…

E as palavras vão ficando cada vez mais poucas. Eu fui escolhido para descrever o que passamos juntos, apesar de eu ter lembranças, muitas delas parecem ser confidenciais, segredos entre amigos, ou segredos de uma sociedade que foi criada por um sistema que pré-selecionou 40, e foi selecionando até que estivéssemos aqui em 32.

Talvez melhores que nós ficaram de fora desse evento.

O acaso pôde nos colocar na universidade, mas o acaso não foi nosso cúmplice para que permanecêssemos. O acaso se foi e nos deixou nus, despidos, para que encarássemos as durezas e doçuras da vida, das batalhas em busca de um final feliz.

Por falar em final feliz, hoje quando olho pra trás, em um passado que é quase presente me sinto num conto de fadas onde nós víamos mocinhos e bandidos, agora quem é o vencedor? Tem vencedores? Estas perguntas não têm respostas, quiçá tivessem, contudo não as quero, nem necessito delas, eu apenas quero que este não seja um final feliz, mas sim um recomeço de uma jornada feliz.

Eu poderia aqui olhar olho por olho destes que comigo comungam deste momento, dar um abraço em cada um. Poderia também sentar numa mesa de bar e contar umas piadinhas, dançar numa festa, rir, cantar olhando as estrelas, mas vou aqui controlando a minha maluquez e desejando a cada um vitória.

Pra cada cabeça uma sentença, pra cada ato uma conseqüência e pra cada vida um destino. O nosso destino? Nos separarmos em busca de aventuras inimagináveis, busca de desejos que quando estivermos já de idade avançada nos causará saudade, lágrimas e da nossa nostalgia surgirão muitos conselhos aos nossos filhos, que assim como nós com os conselhos de nossos pais, não os aceitarão e buscarão seus próprios conselhos.

Quantos destes amigos que verei novamente?

Quantas promessas de nunca nos separarmos serão cumpridas?

Quantas vezes nos veremos e faremos de conta que nem nos conhecemos, mesmo que a vontade seja de dar um abraço?

Incógnita o futuro, gostoso o presente e nostálgico o passado.

Ah, sei que ainda vou olhar as fotos que tiramos juntos, esquecendo o nome de alguns e lembrando de outros, suspirando e imaginando onde cada um estará naquele momento, porém dos colegas me lembrarei, dos amigos chorarei de saudade e dos amores estarei perto, se é que isto que digo não é mais uma promessa pra ser quebrada.

Mas tudo isso aconteceu pra que pudéssemos enfim dizer aos nossos pais, amigos e familiares que somos vencedores e que valeu a pena eles acreditarem em nós.

A vocês que nos encorajaram e acreditaram em nós, mesmo quando nós mesmos não acreditávamos eu deixo nosso muito obrigado.

Papais, mamães, tios, avós, cônjuges, filhos, amigos, irmãos…

A vocês, obrigado!

Vocês são os grandes responsáveis por tudo isso, mesmo que distante, mesmo que ausente descansando desta vida, com certeza, nossa força veio primeiramente de Deus, e depois de vocês.

Que cada sorriso, cada lágrima, cada abraço, cada carinho, cada conteúdo aprendido sejam creditados a vocês.

Sintam-se abraçados por todos nós e obrigado por estarem aqui como se estivessem dizendo: “Vai lá, vocês são capazes de vencer na nova etapa da vida.”

Agradecer?

Tenho e muito.

Então agradeço a Deus pela vida e a vocês por isto…

Obrigado!

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