Ríamos dele, ríamos de mim, ríamos de você. Sim, de você que nunca vimos, com certeza rimos de você.
E seus sonhos pingavam de sua boca e flutuavam em sua mente, povoavam seus pensamentos.
Política, religião, futebol… não eram pra nós assuntos proibidos. Na verdade não era proibido pra gente falar, conversar e rir, rir de novo.
Parecíamos crianças rindo, ou pessoas irresponsáveis e talvez éramos naquele momento.
Ele, seu irmão e eu em um trio que gostava de curtir com as falhas alheias e com nossas próprias falhas.
Tomávamos Coca-Cola que conseguíamos de algum desavisado que se aproximava, afinal uma Coca sempre vai bem em meio a risadas.
De repente as lágrimas vieram, aquela dor enorme. Sentia que no meu peito uma bola de basquete ia se enchendo dilacerando tudo e de repente murchava apertando meus pulmões em uma dor e tristeza profundas.
Eu não teria mais aquela companhia pra dar risadas, não tomaríamos mais uma Coca-Cola juntos e o pior de tudo, seus sonhos não seriam realizados.
E as lembranças permanecem, percorrem em meu sangue.