Crônica

Eu também choro

Autor: Cristiano Vieira

E eu achava que não chorava e chorei. Era medo e raiva, raiva e medo. Sensação de impotência. E infelizmente, não parece que a vida será diferente. Não hoje, não por enquanto. Talvez amanhã!

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Crônica

Lágrimas e Cappuccino

Autor: Cristiano Vieira

Uma noite fria, a chuva insistia em cair e relâmpagos clareavam o quarto. Eu estava só e naquela solidão eu não conseguia dormir.

Pensava a todo momento nela, com seu corpo quente, olhos atentos e cabelos crespos amaciados em salão.

Sua voz firme que às vezes soava como rouca, outra hora soava como determinada e embalava nossas conversas a ponto de por horas e horas eu apenas observá-la a falar, contando seu passado, falando sobre seus planos e vez ou outra me fazendo carinho na face.

Agora estou aqui só ouvindo os pingos despejados como em baldes sobre o telhado. Raios como flashs e trovões como roncos do monstro que dorme debaixo da minha cama.

Não sou criança, mas sei que debaixo das camas dormem monstros. Aqueles monstros que empurramos para lá quando estamos com insônia e vez ou outra tentamos tirá-los de lá com uma vassoura, mas eles insistem em voltar e roncar cada vez mais alto estendendo a noite a uma eternidade até que as pálpebras se grudem, quando grudam.

Minha mãe me disse pra dormir com Deus, desligou o telefone e eu não dormi e tentei falar com Deus, mas parece que ele não pode me ouvir agora. Talvez esteja dando prioridades aos outros que tenham mais fé, ou simplesmente no auge da minha insignificância prefere me ignorar, como o mundo todo que assim insiste em não lembrar de mim.

O edredom já não aquece meu corpo que suspeito já estar em estado de hipotérmico, vou me levantar e buscar uma forma de esquentar o que ainda resta de mim. Um corpo sem alma com uma cabeça que pensa e a nenhum resultado chega.

Pego o isqueiro, acendo o fogão e decido fazer um cappuccino.

A água já borbulha e fico fitando-a como se a cada bolha fosse me trazer de volta a alegria de outrora. Ao que de repente volto à fria realidade e termino com o café e fico perguntando se realmente aquilo que preparo é um café, ou seria chá, leite… enfim, decido não perguntar mais que hoje não tenho resposta nem ao mais simples cálculo matemático de 1+1.

Lágrimas e Cappucchino

A cada gole do cappuccino sinto minha garganta queimar e meu corpo voltar a ter uma temperatura mais próxima à vital.

Volto pra cama, me cubro com o velho edredom azul e durmo. Só espero que os sonhos não apareçam, eles me entristecem.

 

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Crônica

Faces da Vida

Autor: Cristiano Vieira

Quando ele nasceu o pai olhou, sorriu… ainda todo sujo ele chorava e o pai dizia:Faces da Vida

- Quando crescer vai ser médico!

Cresceu e virou traficante.

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Quando ela nasceu a mãe chorou, olhou para ela e disse:

- Vou te amar sempre minha filha!

A mãe então se casou e deu a filha para o padastro abusar sexualmente.

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Quando era garoto sonhava em ser jogador de futebol. Jogava bem. Passava noites em claro sonhando com a glória.

Cresceu e hoje é um grande pai!

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Ela era bonita, olhos claros. Um cabelo anelado loiro e um sorriso encantador.

Nunca quis ser modelo, nunca quis ser atriz, nunca quis ser popular.

Cresceu e é modelo, atriz e popular!

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O pai era pobre, não tinha condições nem para alimentá-lo.

Passou fome, passou frio e foi envergonhado.

Cresceu e é um bem sucedido empresário.

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Era delicado, de modos finos e o pai o rejeito pois via que o filho era gay.

O menino cresceu, se formou e hoje é professor.

O pai está doente, sem dinheiro e aquele filho desprezado é o único que o ajuda. Seus irmãos heteros abominam o pai.

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Era criança e sonhava em ser policial.

Aos oito anos foi morto por um bandido na porta de casa.

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Eram crianças e queriam ser amigos para sempre.

A vida os separou, hoje cada um está em um lugar e cada um com sua vida. Vidas totalmente diferentes.

Um é funcionário público, leva uma vida sem muito conforto mas também não passa grandes privações;

O outro virou andarilho. Não tem destino, só quer almoçar e jantar e um canto pra dormir. Não deseja mais que isso. É feliz assim.

O outro está doente, está com câncer terminal em um hospital e sua esposa está com ele todos os dias. Quando se conheceram ele percebeu que aquele sim era um amor para a vida inteira.

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A vida é cheia de histórias, de personagens, de sonhos, frustrações e realizações. Mas o certo é que viver é uma arte complicada!

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